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Depois de mais de um mês voltei. Não sei bem pra onde nem pra quê. A única coisa certa são uns dois ou três quilos a mais voiciferados pela balança acusando-me de haver exagerado nos chocolates, alfajores e sorvetes no último mês ou bradando contra minha corajosa e revolucionária licença do odioso treinamento de hamster de cada dia; vulgo: academia de ginástica.
Cedendo aos apelos da mídia tosca e das insinuações de preguiça de amigos e aderentes menos hábeis, voltei a disfarçar minha desocupação com minhas séries normais de atividades físicas incluindo tai-chi, kung fu, dança e... a ditosa malhação. Mens sana in corporis sano. Aí minha disciplina diária de treinamentos inclui partidas de sudoku, planejamentos, pesquisa e, claro leituras. 3 livros. 1 para cada língua que entendo, o jornal e aqui e ali umas revistas informativas pelo caminho.
Putz! Aí ontem me deu uma contusão séria quando, numa iniciativa de atitude saudável eu pego o suplemento da insigne Revista Veja sobre a mulher contemporânea. Foi uma indigestão pesada a consciência de ser destinatária de informações subliminares (ou nem tanto) tão ultrajantes. Odiei a perspectiva de auto-imagem da brasileira de classe média retratada naquelas reportagens; mulher, então estaria basicamente interessada em ler sobre gordura, velhice, compras e solidão. Pior. A mensagem que passam é que ainda não estamos suficientemente preocupadas com estes problemas e se não bastasse isso, ainda reiteram que estamos REALMENTE ficando mais gordas, mais velhas (pois, necessariamente feias), mais carentes materialmente (mais pobres?) menos amadas pelos homens e tudo isso é IRREVERSÍVEL, sem que possamos fazer muito além de entender e nos resignarmos com a cruel realidade.
Ah, vão se catar! Vão arrumar uma trouxa de roupa pra passar se não têm nada de construtivo pra escrever. Ou pelo menos incluam umas fotos de homens gostosos fingidos de sensíveis com quem possamos fantasiar. Façam cartilhas educativas sobre como aprender a detectar um bom parceiro de cama; listas de foras criativos e incisivos... Não dá pra falar de Copa do Mundo? Se joguem nas novidades e bastidores da nova turnê de Madonna ou do Ballet Bolshoi... E pelamordedeus mobilizem a mulherada contra a violência que as lojas de roupa estão fazendo ao inadvertida e irresponsavelmente diminuir o tamanho dos manequins, levando a quem veste tamanho 42 a vestir um tamanho G que seja a continha... Aí depois não entendem pq a mulherada anda deprimida. Nunca se está magra o suficiente, nunca se tem acesso aos namorados, cosméticos e vestuário in-dis-pen-sááááá-veis à felicidade (leia-se: beleza) feminina.
Não adianta. Ninguém me convence que sou apenas uma feminista enfurecida. Mas esse barraco eu faço questão de armar: eu me dou o direito de me emputecer com o tipo de preocupação e ansiedade que minha cultura tenta me incutir e não só acredito como sei (tenho exemplos vivos e saltitantes disso) que um desvio deste padrão não é um desvio psico-somático, ou de feminilidade; muito menos de preferência sexual. É um desvio de educação em consciência: uma aberração inconveniente aqui e agora, mas que certamente há de se entender como viável em algum recanto deste mundo afora nem que seja para um só ouvido. E é pra lá que eu vou. Se vou!
Escrito por Cali Pantoja às 15h13
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Já de volta de um Montevideo um tanto decepcionante. Caro, frio que soh pitomba sem caroco congelada e um tanto decadente turisticamente.
A arquitetura eh r ealmente monumental. Os predios sao imensos e as fachadas neoclassicas bem apapagaiadas no bom sentido. Mas o estranho eh que tudo fecha muito cedo e quase nada abre nos fins de semana. Por exemplo, nao encontrei uma farmacia aberta as 21h de uma sexta a noite, perto da rua principal da cidade! E 15:30 do sabado, de relogio estava tudo fechado. Museus? A maioria soh de segunda a sexta.. feira de artesanato para turista? Soh dia de semana. Cabou-se! Lembrem-se que estou me referindo a capital do uruguai nao a um vilarejo hippie na Patagonia...
Enfim, valeu o passeio por uns museus de artes latino-americanas. conheci dois pintores uruguaios simplesmente fabulosos: Torrers Garcia e Jose Gu.... depois eu lembro. versateis. Contemporaneo com paixao e sentido.. incrivelmente inteligentes...
Tambem valeu a pena conhecer no domingo a feira da rua Tristan Navarro. Tive que comprar pelo menos um livro do galeano e um de mario benedetti. Por um lado, foi ateh bom nao ter casas de cambio aberto, senao eu certamente teria dificuldades em resistir comprar tantas coisas boas e baratas. De coelho, a b alde, passando por frutas e pneus...
A dificuladade de comprar pesos uruguaios somada a uma ligeira desorganizacao orcamentaria me fizeram, ao fim nao ter dinheiro para pegar o onibus ateh a estacao onde tomaria o transporte para Buenos AIres. o que a boa e velha mariana fez? Foi andano claro. Nao sei quantos quilometros com uma mochila pesada nas costas. Quando eu parava para descansar soh me lembrava da via crucis de Jesus Cristo. Encarei pelo lado divertido da coisa e pelo desafio e no fim das contas deu tudo certo. Ateh consegui tr ocar dinheiro para j antar qualquer coisa. Senao ia experimentar jejum de pascoa atrasado.
em seguida, uma viagem apreensiva de onibus porque descobri que a maioria das pontes uruguai- argentina estao fechadas por incidentes tarifarios. E o Mercosul, caramba? Mais de uma hora na alfandega com meu passaporte confiscado, e consequentemente de sono interrompido e ao fim sobrevivi.
Por isso, ontem comi chocolate lindt e hj vou a opera. Pq eu sou minha heroina...
Escrito por Cali Pantoja às 13h38
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Mesmo de férias, tem dia que a gente literalmente pisa em merda. De domingo para cá, algumas coisas chatas aconteceram mas que felizmente já foram superadas: desaparecimento de mochila de uma de minhas amigas de dentro do quarto; sumico de pequenos objetos e, para completar a perda de minha carteira durante um passeio num dos bairros mais chiques de Buenos Aires isso sem contar o inchaco compulsivo dos meus pés em bolha que mal me permitiam comprar almoco na esquina.
O bom è que com um pouco de bom humor e muito apoio dos meus fellow backpackers, pude encontrar a paz de cristo para seguir com minha viagem. Claro que o orcamento fica um pouco mais apertado, mas o legal é saber tb. que coisas desagradaveis e até perigosas nao acontecem só comigo e nao têm nada a ver com saber se cuidar ou nao longe de casa. Uma coisa é certa: reduzir minha bagagem à metade da próxima vez.
Aliás, desta vez. Estou agora no Uruguai numa cidadezinha que é a coisa mais fofa deste universo. Chama-se Colônia del Sacramento e lembra um pouco Olinda no outono (heheheeh). Àrvores amarelinhas, praia de rio, praia de mar; muitos museus, um teatro pequenininho, pedras aparentes, muros e portao da cidade. Para onde quer que se olhe há uma obra de arte.
Até o albergue onde estou é artístico. Rústico, decoracao de acordo e com um terraco no centro no estilo das casas espanholas do sèculo XVIII ou XIX.
Daqui sigo para Montevidèo dar uma checada por lá.
Escrito por Cali Pantoja às 09h02
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Segundo capitulo desta novela argentina demorou a sair,mas chegou! Tb, sentar para escrever dáumpouco de preguica considerando a intensidade dos acontecimentos. Realmente nao há um dia em que nao conheca gente nova,palavras novas, comida diferente, lugares incríveis, climas doidos. Tudo muito rico como diriam os argentinos.
O Hostel tem compensado os problemas de infra-estrutura pelo clima amistoso das pessoas.E o incrivel é que no meu quarto somos quatro meninas de países diferentes viajando sozinhas, incluindo uma "guia" argentina que já conhece um bocado de Buenos AIres. Somos quatro mosqueteiras unidíssimas e estranhamente íntimas! Vai ser difícil despedirmo-nos. Logo eu que odeio sentir saudades.
Comecando pelo fim,acabamos de chegar do cemitériona Recoleta, que é o lugar mais assustadoramente (literalmente) lindo que já vi na vida. Esculturas incríveis numa cidade de mortos. E sinto que nao consigo traduzir a paisagem dos lugares que estou visitando nem por fotos.
Ontem foi dia caminhando por La Boca com meu vizinho Richard, o sul-africano que tb é gente fina.Aquilo lá é a cara do bairro do recife com um monte de cores em armazéns pintados e artesanato legal com música ao vivo.Inclusive um tanto sujo. Conhecemos um pouco de Puerto Madero e a Reserva Ecológica. Á noite tivemos microfone livre no hostel e foi tirar muita onda conhecer mais um montao de gente. O povo daqui é bem bonito. Valha-me nossa senhora. E bem estiloso e bem menos frescos, aparentemente que em minha querida hometown. Sim, porque aqui homens e mulheres podem ser amigos. E, talvez ao contrario do que eu pensava, os mochileiros nao estao tao deseperados por ficar mesmo que estejam asbtemios há meses. A aquera é mais sutil, a nao ser quando se trata de um americano do Hawai.
O pessoal é em geral mais velho e esta entre trabalhos e estudos, o que me motiva a tentar tracar um plano para empreendermochilagem semi-profissional um dia. Vou testando por enquanto.
Provavelmente vou sair da cidade por uns dias. Conhecer Mendonza, Montevideo, Colonia... Vamos ver.
A desorganizacao intrínseca continua, mas sinto que estou entre os meus. A gente acorda e decide o que fazer e quando os planos convergem, encontramos pessoas maravilhosas e incrivelmente parecidas com nossos próprios valores. Nao que seja um mundo pequeno, mas ele gira um bocado.
Escrito por Cali Pantoja às 21h28
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Comédia da vida privada.Capítulo 1 da estada marianesca em território e sob custódia castexana.Será que sobrevivo? Nao sei se adiantou muito a meditacao contra as raizes do medo que me ofereceram lá no aeroporto, mas como nada é por acaso,alguém láem cima devia saber o que ia encontrar por aqui.
Um pouco decepcionada com a desorganizacao do albergue aqui. Pra comecar,os lances de escada que tive que subir arrastando bagagem acima.4 andares com elevador quebrado. As 3h da matina eu entro no meu quarto escuro e baguncado. A cama livre que havia para mim tinha coisas alheias derramadaspor cima e surpresa! Zero fronha,lencol... Vai eu tava com sono e levei na esportiva.Troquei de roupa no escuro e superei a alergia para finalmente dormir. E logo em seguida acordar descobrindo que.... Eu dormi com 2 caraaaaaaaaaaas! Me puseram num quarto com dois "muchachos",meu deus! E como em danado eu iria trocar de roupa dali pra frente? Sim pq já havia descoberto a esta altura que banheiros privativos eram uma lenda! Pus a boca no mundo e troquei de quarto claro, nao sem antes mencionar que os caras (que se apresentaram no café da manha como recemdesempregados da Franca e Africa do Sul) sao boa pinta e gente fina,mas sinceramente ficaram sem graca em acordar comigo "logo acima" e do lado... (tá isso soou péssimo).
Por sinal, frutas e bolo no café da manha sao uma grande lenda! Fiquemos muito felizescom um pao com manteiga.
O ritual de tomar banho é odisseico. Ainda bem que ri muito no processo. Toda uma poca se aumulando e saindo porta e corredor afora expelidas por um chuveiro a cerca de 50 cm do solo. Para molhar a cabeca sem se arrastar no chao há que se bombear aágua manualmente para um chuveirinho móvel. Hahahahaaha,fora isso, o hostel é legal e tem internet gratis.
Sim,a cidade... Realmente algo europeico. Arquitetura fantastica,bla, bla, bla. E A vida cultural que pedi a Deus. Sem falar numa variedade de chocolates que me emocionam. Finalmente eu tenho Cadbury´s a meu dispor. Sanduiches e pizzas muito bons e variados. Mas tv nao tao baratos quanto eu achava. Ainda nao encontrei meu supermercado por aqui, mas ja comecei a me abastecer de algumas coisinhas semi saudaveis enquanto vou provando e deliciando as marcas de chocolates e alfajors.
Amanha vou ver o ballet Sylfide no Teatro Colón... Em pé. Po! 5 pesos, por um ballet de excelencia! vale a meditacao. E prometo que se valer a pena mesmo eu vejo algo nos conformes... Falando nisso... Tem espetaculo de Sara BAhas (uma das divas flamencas) na proxima terca! Im-per-divel. To vendo onde eu nao posso economizar nesta cidade... Se bem que tem uma programacao gratuita consideravel isso aqui incluindo uma opera obscura de mozart de grátis. Muito bom. To de olho nas pecas e ja pesquei uns nomes com o povo na rua e tá rolando o festival de cinema daqui.Só espero que nao tenha que ficar de pé em todos os espetaculos que quero ver. Já basta essa mania estranha que o povo daqui tem de comer em pé. Mas mochileiro é assim mesmo. Ainda nem tive que dormir na estacao de trem... Pelamorde Deus. Já me basta estar sozinha desorientada nesta cidade com os metros em greve!!!
Estou exausta e vou sair daqui a pouco com minha nova amiga argentina e companheira de quarto. Vou sobrevivendo e contando as novidades, sempre tragicomicas. Em paz e experimentando é o que importa...
Escrito por Cali Pantoja às 20h20
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“Por onde andei?” Pergunto em coro com Nando Reis num show que não será o que perderei por motivos bem justos. Experimentando seria uma boa resposta. Consta num livro curioso que nasci no dia da pesquisa, portanto seria da minha índole cavucar pelos modos, maneiras e sentidos alheios para resolver o quebra-cabeça da lógica embutida nas coisas, particularmente nas minhas coisas.
Alguém mais inteligente que eu entendeu que a vida dá mais respostas a quem sabe enxergar que a quem vive de buscar e catar sonhos e ímpetos. Claro que sonhos e ímpetos têm um fim próprio e são, inclusive a resposta para um bocado de enfermidades da alma, principalmente a solidão, mas o que potencializa a “fodice” de uma pessoas pra mim é a capacidade de reconhecer a direção de um lar.
Um lar pode ser um trabalho onde se faz a diferença, o cheirinho de banho recém tomado de alguém amado, um grupo de amigos pra todas as horas, um passeio pelo calçadão da praia num domingo à tarde; uma mansão ou uma casinha de sapé, enfim. Interessa é que todas as coisas e pessoas sejam arrumadas e faxinadas de um jeito único e pessoal, com a constância da eternidade da chama de Vinicuis. Cada coisa no seu cantinho e com seu devido naco de carinho e atenção. Lar é aquilo por que a gente se apaixona em diferentes graus e de diferentes formas a cada dia.
A bronca é que se apaixonar pesa pra quem quer percorrer o mundo e “soa” como uma concha de caracol que faz peso na caminhada. Afinal não seria mais fácil viver destituído de saudades e escolhas pela conciliação de interesses? Alguém que saiba que responda. Eu prefiro aprender que tudo que voa precisa de um lar. A gente vai lá na Conchichina dar uma volta e tudo o que se quer, no fundo é trazer uma raminha nova pra por no ninho.
Fizeram filmes e livros pra tentar levar o povo a pensar que nem toda experiência de vida é necessária e proveitosa e viciar-se em mudanças que não criam raízes tb é uma espécie de morte. E pense na ressaca moral que dá a tentativa de suicídio da própria essência. A ignorância é uma dádiva protegida pela vanguarda, ou seja, pelo que expõe o peito e a fúria à violência do medo/desconhecido. Vou ser uma boa menina pra ver se nasço um pé de jasmim na próxima encarnação. Ou pelo menos alguém que fale francês...
Escrito por Cali Pantoja às 15h49
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Esses milagres da vida cotidiana. Por uma faceta deles me escolheram jurada de um jogo de adedonha de times de futebol dentro do ônibus, para tirar o teima se existia seleção de um país chamado Estônia (coisa de que pelo jeito não convenci. Preferiram continuar o jogo com a letra “O”: “Olanda”, “Onduras”, “Orizontina” etc). Viva a educação brasileira.
Por outro milagre, eu que queria ver um filme este fim de semana, acabei numa sessão de Constelação Familiar onde presenciei (e de certa forma, vivi) uma das histórias de amor mais lindas que já conheci. Não vou contar o causo pq amor nunca esteve tão pouco na moda e no interesse das pessoas, mas não posso deixar de divulgar a técnica em questão que é arrepiante.
A constelação familiar é um processo terapêutico sistemático criado por um alemão ainda vivo chamado Bert Hellinger que foi padre missionário anglicano entre as tribos Zulus e depois estudou psicoterapia com foco em pesquisa e observação das relações inter-familiares contemporâneas e ancestrais e como elas influem em padrões de comportamento que incomodam os indivíduos (provocando doenças, inclusive) e impedindo a fluição do amor (sempre ele).
A coisa funciona como um “teatrinho”, uma representação onde pessoas de preferência completamente estranha representam os membros da família de origem (pai, mãe, irmãos etc) ou em construção (cônjuges, companheiros, filhos, amantes, abortos etc) de alguém, que tb escolhe alguém para se representar. As pessoas são dispostas em relação ao constelado e vão sentindo coisas, ímpetos, sensações em relação aos demais personagens. É arrepiante.
As explicações para o que se sente e acontece são dadas de acordo com o gosto do freguês. Tem quem relacione a constelação familiar a experiências mediúnicas do espritismo pq quem representa estaria tendo contato com a discrição do panorama de “enredamentos” ou problemas familiares do constelado no plano das almas. Tb tem quem afirme que a melhor explicação para o processo é a do biólogo Rupert Sheldrake, segundo o qual haveria “campos mórficos” ligando as sensações e encontros das pessoas e mesmo animais pelo que se explicaria como um “Totó” sabe que seu dono está chegando em casa.
Enfim, encontrar razões para o que faz sentir bem é perda de tempo e gasta a energia da felicidade com supérfluo. É como querer entender esse lance de sorte: como o hippie de boa viagem que me fez um anel na hora acertou exatamente o tamanho do meu dedo e como deixar de marcar uma alternativa verdadeiro ou falso numa prova pode fazer a diferença da carreira de sua vida. O que será que faz a bolinha de tênis cair de um lado ou de outro da quadra. Quem acredita em acaso?
Escrito por Cali Pantoja às 22h41
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Eis que estou me despedindo da vetusta federrê, meu pícaro durante os últimos 5 anos de juventude transviada. Palco de rebeldias academicistas geralmente sem eco, alguns momentos de seriedade e compenetração e muitíssimas cenas bizarras, inusitadas e únicas. Aì lembrei que em uma aula de Direito Comercial totalemente inútil sobre concordatas ( tipo de recuperação judicial que nem existe mais, mas foi ensinada pq o professor não queria desperdiçar as transparências feitas com tanto trabalho há 15 anos) eu e um colega anotamos algumas frases ou situações representativas de alguns valores correntes na Facvldade de Direito do Recife:
*"O cara ser um juiz justo vai depender de todos os amiguinhos terem querido jogar bola com ele e a primeira menina por quem ele se apaixonou ter querido namorá-lo." (Defesa apaixonada do conceito de alopoiese em Direito.)
*"Não adianta, meu filho, se vc não foi ou não é corno, vai ser. Não há como escapar, é o famoso 'fate' ". Aula "interativa" sobre crimes passionais.
* "Desculpa, professor!" ( De um aluno depois de cair três lances de degraus de um dos anfiteatros e torcer o pé, atrapalhando assim uma aula de constitucional sonolenta, ao acordar os presentes com um estrondo)
* "A minha nota, eu dou pela beleza da pessoa. Fulana, por exemplo, pode escrever qualquer coisa que tem seu dez garantido. E um estágio no meu gabinete também. (Do mesmo desembargador que dedicou-me um livro: à moça do olhar obsceno)".
* A beleza masculina é infinitamente superior à feminina. ( De outro eminente desembargador e professor da Casa, mostrando a democratização da putaria em nossos tribunais)
* " É melhor acertar comigo do que errar com Caio Mário..."
* O encontro vocálico 'ae' se pronuncia é, meu filho, então a pronúncia correta do seu nome é César. (Réplica à pergunta 'Qual o seu nome', provando que quando o professor quer, o aluno está sempre errado)
*" Ih! Esqueci! Vamos mudar de assunto." (professora em aula de direitos reais depois de escrever e apagar as classificações de Direitos Reais pela terceira vez)
* "Aí, o menino que usou o galfo como arma fugiu em sua bicicreta, mas logo foi pego" (de um juiz palestrante convidado)
Lembrando que qualquer semelhança com fatos, acontecimentos ou pessoas reais é mera coincidência..
Escrito por Cali Pantoja às 23h38
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Assistir a Angu de Sangue à primeira vista é uma experiência teatral para gente grande, embora a primeira cena da peça diga precisamente o contrário. A qualidade técnica e artística da motagem a sagacidade e a pungência do texto ao tratar poeticamente a realidade recifense intrauterina tem a sensibilidade de não reproduzir apenas os "cheiros" dos temas e sentimentos retratados.
Isso eu digo em lembrança ao sentido que teve para mim a experiência de visita ao IML, meio ano atrás. A visão do horrendo não se compara à "presença" do cheiro da morte em podridão; iminente, corriqueira, padronizada em etiquetas amarradas a dedões de pé. Eu nunca esqueci.
O engraçado é que essa lembrança dramática inicial não corresponde à impressão que ficou depois do que acabei de ver. Histórias e temas pesados "que só a preula" de sobrevivência, saudade, maternidade, violência, raiva, amor e, claro, morte soaram autênticas sem serem apocalípticas ou moralistas. Tão bom saber que tem gente que entende que referências artísticas à miséria não têm que estar estampadas numa "bandeira" política empunhada ou culpa, ou vergonha. É tedioso que sempre se toque neste assunto com um constrangimento "defuntal" e a etiqueta intelectual ordene tanta inconformidade, tantos discursismos sobre o dever ser do mundo. Foi massa dar um tapa de luva em mim mesma.
As cores e dores da miséria têm o peso que tem, mas a força e a atitude dos personagens de Marcelino Freire são de uma dignidade tão marcante que suscitam qualquer coisa menos pena. Talvez respeito. Talvez ternura. Algo parecido com: "Puxa, se eu fosse tu, eu queria ser como tu". E a cenografia, as músicas, cacoetes, contorções e gotas de suor investidas na peça de agora há pouco são um exemplo feliz de um trabalho de gente apaixonada pelo que leu, entendeu e pôs a própria competência (que não é pouca) a serviço.
Aí eu queria retirar o que disse na primeira frase deste texto. Angu de Sangue é também teatro para crianças; daquele tipo de arte que ensina pelo filtro de algo bonito e, aleluia, convincente como e por que dá pra admirar, se sentir de igual pra igual com alguém aparentemente "fodido". De todo jeito, para pequenos,pior que a experiência traumatizante de Bambi não é...
Escrito por Cali Pantoja às 01h08
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Parem o mundo que eu quero descer. A minha última é um atentado suicida contra o próprio dedo; a situação é tão inusitada que dá quase orgulho. Tratou-se de um chute circular cruzado treinado numa displincente tarde de kung-fu que vitimou um pobre indicador indefeso, ora inchado, roxo e imobilizado. Rarará! Machucado tb parece que ficou o braço de um coleguinha meu que não foi à aula de hj, imaginem, alegadamente por minha culpa! Calúnia! Logo eu que adoro crianças, desde que elas não insinuem com sinceridade nos olhos que eu tenho "cerca de" 35 anos na cara e depois venham querer treinar socos comigo. Humpf! Era ou não era pra eu acionar o mode dolo eventual (traduzindo: "Eita, mas que coisa! Doeu foi? Tsc!)? No duro, foi sem querer. Eu nem sabia que tinha a capacidade de machucar alguém. Bem.. Hj aprendi que talvez sou mais forte que imagino.
Quando o irmão do rapazola afirmou ironicamente: "Ela é grossa, professor", eu pensei: "Grossa?!" Sou uma bailarina; uma pluma! Logo eu que me comportei com finura e graça dignas de menção num jantar dado em homenagem a meu pai pelo então Cônsul da Alemanha que este registrou a meu respeito desejar que sua filha crescesse de forma a me igualar em elegância e simpatia... Tá, o cara é diplomata, mas dêem um tempo! E tb não levei um chutaço no tornozelo de um chinesinho hj? Coisas de quem luta. Se bem que aprender kung-fu tem aflorado a braba que há em mim e isso não é de todo ruim... Por sinal, inimigas, beware, pq hj me ensinaram um golpe de alta eficiência para eventuais brigas de cabelo. O pior que fui cobaia do tal golpe é posso garantir que não é nada agradável ser arrastada daquela forma. Pois é... A gente apanha muito na vida antes de aprender a bater com inteligência...
No mais, dia de ver filme obscuro com meu querido amigo "Almost" Kami. Teria saído na metade da sessão se estivesse sozinha em protesto contra a quantidade de cortes e cenas inúteis, mas senão pela atuação constrangedoramente convincente do protagonista da história, o filme deixa a incômoda mensagem resumida na última frase extraída de uma citação de Santa Teresa D'Ávila, se não me engano: " Mais lágrimas são derramadas pelas preces atendidas que pelas não atendidas". Valia uma super conversa de mesa de bar. Antes do primeiro beijo e da segunda taça de vinho, como diria Galeano.
Escrito por Cali Pantoja às 01h04
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Leiam o Fê, meu povo, que o homem sabe das coisas; pelo menos quando ele escreve em nome prórpio Esse povo que se esconde atrás de pseudônimos... sei não.
Se alguém bater um dia à tua porta, Dizendo que é um emissário meu, Não acredites, nem que seja eu; Que o meu vaidoso orgulho não comporta Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir Alguém bater, fores a porta abrir E encontrares alguém como que à espera De ousar bater, medita um pouco. Esse era Meu emissário e eu e o que comporta O meu orgulho do que desespera. Abre a quem não bater à tua porta!
Fernando Pessoa, 5-9-1934.
Escrito por Cali Pantoja às 22h49
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Não sei se posso dizer peremptoriamente que gosto de cinema como Rubens Ewald Filho. Gosto de bons filmes; mais sinceramente deveria dizer que gosto de boas histórias. E no jardim II eu aprendi que gosto, religião, futebol e cor de farda não se discutem. Explicar isso é tão cretino quanto entender quanto alguém como Tiririca pode gerar tesão em alguém em contraste com se ter sono com um concerto de Rachmaninov. É por isso que eu acho ser crítico de arte uma das profissões mais arrogantes, ou talvez ingênuas, do universo, afinal, porque é tão importante submeter um livro, um filme ou uma música ao enquadramento em rótulos pretensamente objetivos de bons, medíocres e “trashs”? Ou talvez eu tenha inveja pq me falta competência ou saco para fazer “reviews” interessantes. Quer dizer, até sou capaz de analisar e apreciar aspectos técnicos das coisas, mas me recuso à hipocrisia de negar o estado de sublimação emocional que algumas “artes” convencionadamente “podres” me causam. Não revelarei exemplos em rede mundial. Pelo menos não agora.
Todo este intróito blasé para falar da folclórica noite de domingo passado, quando já é de praxe, reunir os amigos para assistir e tesourar a nata, da nata, da nata (em PG) dos finos, fofos, queridos e entendidos. Todo um momento “panis et circenses”. Pipoca, guaraná, bolo e empadinhas de ricota quase no ponto (eu chego lá) para assistir ao circo que alimenta a vaidade e a disposição de hipocrisia da mais divertida política de intervenção oculta no mundo. Hollywood endurece, mas não perde a ternura; entrega Oscars como quem premia com estrelinhas os bons alunos que fazem dever de casa. Afinal, é estranho (ou morbidamente delicioso) ver aqueles homens e mulheres impostos ao mundo como celebridades incontestáveis sentados comportadinhos em seus lugares; todos quase constrangidos ao fingirem autenticidade em risos, e surpresas, e bom gosto ao escolher o Prada, Armani, o Valentino e a marca da fita crepe que desafiarão a gravidade e o senso de bizarro alheios.
Na verdade, poucas coisas me captaram a atenção para a cerimônia em si neste ano, mas não pude deixar de reparar quando:
1) Atentei para o inusitado de algumas celebridades serem tão chiques que não sabiam bater palmas. Tinha uma moça que literalmente sacudia os braços e as mãos como o gorila daquela propaganda nova da coca-cola.
2) A vó da Barbie em carne e osso cantou, mexeu os bracinhos, as pernas, a cintura sem pelos menos duas costelas e até as pálpebras transplantadas..
3) Puseram uma calça genuinamente“fúcsia” para dançar um rap meio sem graça
4) A forma como um apresentador vestido de Geléia dos Caça Fantasmas ou Grinch mirim (vale uma enquête ) tentava angustiosamente ser engraçado; eu me constrangi. Imagina quem tinha o dever de rir segundo os anúncios luminosos
5) Traduziram um trecho de discurso de George Clooney para algo como: “Adoro viver num mundo fora da realidade...” (acho que não era exatamente uma confissão de autismo a intenção do moço na fala mas, enfim.
6) A cover da boneca Susie (com direito a correspondência de proporções) recebeu um Oscar e quase reconvocou as Spice Girls para cantar “Mama, I love you”. Nada contra.
Enfim, eu tenho mais o que fazer. O pior que tenho.
Escrito por Cali Pantoja às 23h08
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Letra de "The Universe Song" do filme The Meaning of Life de Monty Photon para quem quiser tirar as própias conclusões:
Whenever life gets you down, Mrs. Brown, And people are stupid, wicked, or daft, And you feel that you've had quite enouuuuuuuuuuuugh . . .
Just remember that you're standing on a planet that's evolving And revolving at nine hundred miles an hour. It's orbiting at ninety miles a second, so it's reckoned, The sun that is the source of all our power. The sun and you and me, and all the stars that we can see Are moving at a million miles a day Through an outer spiral arm at forty thousand miles an hour Of the galaxy we call the Milky Way.
Our galaxy itself contains a hundred billion stars, It's a hundred thousand lightyears side to side. It bulges in the middle, sixteen thousand lightyears thick, But out by us it's just three thousand lightyears wide. We're thirty thousand lightyears from galactic central point, We go round every two hundred million years. And our galaxy is only one of millions and billions In this amazing and expanding universe.
The universe itself keeps on expanding and expanding In all of the directions it can whiz. As fast as it can go, that's the speed of light, you know; Twelve million miles a minute, and that's the fastest speed there is. So remember when you're feeling very small and insecure, How amazingly unlikely is your birth, And pray that there's intelligent life somewhere out in space Cause there's bugger-all down here on earth!
Escrito por Cali Pantoja às 21h38
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O texto de hj é adaptado de um email enviado em 15/12/2005 (quando ainda era feliz e inocente) a um amigo desavisado que resolveu de perguntar o que se passava na minha cabeça para achar a música "The Universe Song" do Monty Photon um "apanágio" do estilo redenção dos deprimidos. Na verdade ele pediu que eu fizesse uma análise da letra sem-noção da obra com fins de entender como ela podia me deixar senão "walking on air", pelo menos "believing". Aí eu cumpri ordens né... Só não tive sonho de réplica... ao menos ainda.
Eu leio The Universe Song da seguinte forma:
A sra. Brown está de saco cheio, porque está cheia de tapados e imbecis a seu redor, aí chega um grilo-falante para lembrá-la de umas coisinhas... Ele cospe um monte de informações sobre a dinâmica funcional do universo e um monte de dados que, tenho fé, são úteis para quem estuda alguma vertente de física quântica, mas que para mortais como Sra. Brown (e eu) não significam nada concreto, por falta de dimensões e referências práticas do que "djabo" quer dizer milhares de anos luz. Aí a gente fica meio embasbacado ouvindo toda aquela ciência, com vergonha de admitir que não está entendendo nada, e se esforçando para demonstrar que acha aquilo muito incrível! Mas...quando a gente olha pro processadorzinho da gente, tá aquela janelinha aberta (pam!): formato de arquivo incompatível para leitura neste programa, ou seja, complicado demais!
Engraçado que se questiona o sentido das verdades científicas ditas com segurança, mas não se questiona a verdade delas, quando esta é fundada em convenções virtuais e intangíveis. No fim das contas, a ciência é uma religião, pq se "acredita" que 2 representa uma quantidade X, que "cadeira" é esse negócio em que estou sentada e o art. 5, inciso DCCXXIX (é onda, não existe) da Constituição Federal é fundado no valor Y do Contrato Social estabelecido com o Estado.
Voltando do devaneio (que o grilo-falante da música queria mesmo que a gente fizesse), aterissa-se para a parte mais importante e direcionada da música na minha opinião: o último parágrafo. Mandam a gente lembrar que quando a gente estiver se sentindo bem pequeno e inseguro (como é comum a gente se sentir quando a gente não entende uma informação- a dinâmica do universo- ou uma situação - "pq ninguém me entende?" ou "pq a galera é tão mala"?), não há nada mais improvável do que a gente haver nascido!!! EURECA!!! SHAZAM!!! Weeeeeeeeeeeeeee!!! Improvável é um negócio especial. Tão imenso e maravilhoso como o universo, porque... não é pra ser compreendido! Então, na verdade eu sou é muuuuuuuuuuuito grande e importante! E mais, por mais que teorias integrativas sobre meu "funcionamento" ainda não sejam um consenso matemático, as coisas que acontecem tem, sim, uma ordem "fuderosa", só que somos só usuários "MSDOS" da mente e com a "bagagem evolutiva" que a gente tem...estamos simplesmente a anos luz de entender sem rotular.
Aí dá pra ser mais leve e tolerante com a galera, pq se existe vida verdadeiramente racional no universo, aqui na terra é que não está. Aqui a regra é a "viadagem mesmo" (bugger) e o lance é fazer da merda adubo e tentar ir aprendendo; fazer um "levantamento de dados" a partir de uma observação neutra das próprias reações e ir se deslumbrando com as descobertas. Quando a gente se torna nosso próprio laboratório, a vida ganha o sentido de contribuição para a evolução definitiva da espécie. Aí dá pra se sentir, intelectualmente massa!!
o que importa disso tudo, nem é o que eu entendo da música, mas o que sinto dela. Da mesma forma que umas coisas que o cara do côco me disse na segunda, ela me faz sorrir e por isso é fantástica! O fato de se gostar de algo, no fundo, ocorre em uma esfera totalmente dissociada da razão (tenta quantificar o quanto vc gosta da sua mãe em palavras pra ver como as explicações são racionalmente ridículas).
A beleza que se atribui à alguma forma de arte (a música, por exemplo) não tem mesmo razão de ser. É tudo viagem do ponto de vista intelectual, mas, pelo menos pra mim, não há nada mais real do que a gente sente de bom e ruim ao escutar uma música bonita seja ela de que estilo ou origem for. (Até forró calcinha preta pode ser bonito na circunstância certa. Não duvide)
Resumindo, interpretar é uma merda! As chances de errar são infinitas e as referências são frágeis. O negócio é viajar mesmo: experimentar "contemplar" novos horizontes e se guiar pela intuição do que nos faz sentir bem.
Já diria meu amigo Bertrand Russell, a merda do mundo é que os homens tolos têm tantas certezas enquanto os sábios, têm tantas dúvidas...
Não tem forma mais inteligente de inteligência do que bom humor incondicional.
Escrito por Cali Pantoja às 21h00
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Ontem eu estava na parada de ônibus perdida em devaneios, quando me veio à lembrança algo muito sábio que me foi dito em sala de aula por uma maestra: "A grande maioria das doenças da humanidade poderia ser evitada se as pessoas se deixassem defecar quando sentissem vontade". Pensem bem; as pessoas são educadas na conotação física e psíquica equivocada do ato de fazer merda, mas esquecem da brava propaganda do Lactopurga que sempre afirmou baseada em estudos científicos que fazer merda regularmente deixa a pele mais bonita e melhora o humor. Sem sacanagem, filosofemos um pouco, crianças; desentupir é necessário, pq a gente engole muita porcaria nesta vida: sapos, informações, bate-entopes dos mais diversos gêneros, formatos e cheiros... Lembro, inclusive de um curta muito criativo que me chegou à vista por ocasião do Festival do Minuto de 2003. A película tratava-se de uma sessão de terapia climatizada em um banheiro onde se dava uma conotação literal à técnica psiquiátrica da "limpeza de chaminé"; a mensagem foi profunda demais para ser compreendida pela comissão de seleção do festival: fazer merda alivia sim.. E humaniza. Quem não já teve suas diarréias de páscoa e aliviou uns dois quilos de chocolate? Quem nunca se desentoxicou dos fios de cabelo de uma cozinheira de cantina desatenta? Poupo-me de comentar a que se expoem os "habitués" de self-service na esquina do trabalho... Enfim, as pessoas certas e erradas fazem merda; o que diferencia os winner dos whatever é a atitude ante a porcaria. Moral da história Falta de educação é não dar a descarga e, dependendo da intensidade da coisa, não ter bom-ar à mão. Ontem eu aprendi a deixar de hipocrisia e ser mais tolearnte. Agradeci a papai do céu pela capacidade de pôr para fora.
Escrito por Cali Pantoja às 13h21
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