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I say so... Reloaded


Parem o mundo que eu quero descer. A minha última é um atentado suicida contra o próprio dedo; a situação é tão inusitada que dá quase orgulho. Tratou-se de um chute circular cruzado treinado numa displincente tarde de kung-fu que vitimou um pobre indicador indefeso, ora inchado, roxo e imobilizado. Rarará! Machucado tb parece que ficou o braço de um coleguinha meu que não foi à aula de hj, imaginem, alegadamente por minha culpa! Calúnia! Logo eu que adoro crianças, desde que elas não insinuem com sinceridade nos olhos que eu tenho "cerca de" 35 anos na cara e depois venham querer treinar socos comigo. Humpf! Era ou não era pra eu acionar o mode dolo eventual (traduzindo: "Eita, mas que coisa! Doeu foi? Tsc!)? No duro, foi sem querer. Eu nem sabia que tinha a capacidade de machucar alguém. Bem.. Hj aprendi que talvez sou mais forte que imagino.

Quando o irmão do rapazola afirmou ironicamente: "Ela é grossa, professor", eu pensei: "Grossa?!" Sou uma bailarina; uma pluma! Logo eu que me comportei com finura e graça dignas de menção num jantar dado em homenagem a meu pai pelo então Cônsul da Alemanha que este registrou a meu respeito desejar que sua filha crescesse de forma a me igualar em elegância e simpatia... Tá, o cara é diplomata, mas dêem um tempo!  E tb não levei um chutaço no tornozelo de um chinesinho hj? Coisas de quem luta. Se bem que aprender kung-fu tem aflorado a braba que há em mim e isso não é de todo ruim... Por sinal, inimigas, beware, pq hj me ensinaram um golpe de alta eficiência para eventuais brigas de cabelo. O pior que fui cobaia do tal golpe é posso garantir que não é nada agradável ser arrastada daquela forma. Pois é... A gente apanha muito na vida antes de aprender a bater com inteligência...

No mais, dia de ver filme obscuro com meu querido amigo "Almost" Kami. Teria saído na metade da sessão se estivesse sozinha em protesto contra a quantidade de cortes e cenas inúteis, mas senão pela atuação constrangedoramente convincente do protagonista da história, o filme deixa a incômoda mensagem resumida na última frase extraída de uma citação de Santa Teresa D'Ávila, se não me engano: " Mais lágrimas são derramadas pelas preces atendidas que pelas não atendidas". Valia uma super conversa de mesa de bar. Antes do primeiro beijo e da segunda taça de vinho, como diria Galeano.  



Escrito por Cali Pantoja às 01h04
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Leiam o Fê, meu povo, que o homem sabe das coisas; pelo menos quando ele escreve em nome prórpio Esse povo que se esconde atrás de pseudônimos... sei não.

Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!

Fernando Pessoa, 5-9-1934.


 



Escrito por Cali Pantoja às 22h49
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Não sei se posso dizer peremptoriamente que gosto de cinema como Rubens Ewald Filho. Gosto de bons filmes; mais sinceramente deveria dizer que gosto de boas histórias. E no jardim II eu aprendi que gosto, religião, futebol e cor de farda não se discutem. Explicar isso é tão cretino quanto entender quanto alguém como Tiririca pode gerar tesão em alguém em contraste com se ter sono com um concerto de Rachmaninov. É por isso que eu acho ser crítico de arte uma das profissões mais arrogantes, ou talvez ingênuas, do universo, afinal, porque é tão importante submeter um livro, um filme ou uma música ao enquadramento em rótulos pretensamente objetivos de bons, medíocres e “trashs”? Ou talvez eu tenha inveja pq me falta competência ou saco para fazer “reviews” interessantes. Quer dizer, até sou capaz de analisar e apreciar aspectos técnicos das coisas, mas me recuso à hipocrisia de negar o estado de sublimação emocional que algumas “artes” convencionadamente “podres” me causam. Não revelarei exemplos em rede mundial. Pelo menos não agora.

Todo este intróito blasé para falar da folclórica noite de domingo passado, quando já é de praxe, reunir os amigos para assistir e tesourar a nata, da nata, da nata (em PG) dos finos, fofos, queridos e entendidos. Todo um momento “panis et circenses”. Pipoca, guaraná, bolo e empadinhas de ricota quase no ponto (eu chego lá) para assistir ao circo que alimenta a vaidade e a disposição de hipocrisia da mais divertida política de intervenção oculta no mundo. Hollywood endurece, mas não perde a ternura; entrega Oscars como quem premia com estrelinhas os bons alunos que fazem dever de casa. Afinal, é estranho (ou morbidamente delicioso) ver aqueles homens e mulheres impostos ao mundo como celebridades incontestáveis sentados comportadinhos em seus lugares; todos quase constrangidos ao fingirem autenticidade em risos, e surpresas, e bom gosto ao escolher o Prada, Armani, o Valentino e a marca da fita crepe que desafiarão a gravidade e o senso de bizarro alheios.

Na verdade, poucas coisas me captaram a atenção para a cerimônia em si neste ano, mas não pude deixar de reparar quando:

 

1)     Atentei para o inusitado de algumas celebridades serem tão chiques que não sabiam bater palmas. Tinha uma moça que literalmente sacudia os braços e as mãos como o gorila daquela propaganda nova da coca-cola.  

2)    A vó da Barbie em carne e osso cantou, mexeu os bracinhos, as pernas, a cintura sem pelos menos duas costelas e até as pálpebras transplantadas..

3)    Puseram uma calça genuinamente“fúcsia” para dançar um rap meio sem graça

4)    A forma como um apresentador vestido de Geléia dos Caça Fantasmas ou Grinch mirim (vale uma enquête ) tentava angustiosamente ser engraçado; eu me constrangi. Imagina quem tinha o dever de rir segundo os anúncios luminosos

5)    Traduziram um trecho de discurso de George Clooney para algo como: “Adoro viver num mundo fora da realidade...” (acho que não era exatamente uma confissão de autismo a intenção do moço na fala mas, enfim.

6)    A cover da boneca  Susie (com direito a correspondência de proporções) recebeu um Oscar e quase reconvocou as Spice Girls para cantar “Mama, I love you”. Nada contra.

 

Enfim, eu tenho mais o que fazer. O pior que tenho.



Escrito por Cali Pantoja às 23h08
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Letra de "The Universe Song" do filme The Meaning of Life de Monty Photon para quem quiser tirar as própias conclusões:

Whenever life gets you down, Mrs. Brown,
And people are stupid, wicked, or daft,
And you feel that you've had quite enouuuuuuuuuuuugh . . .

Just remember that you're standing on a planet that's evolving
And revolving at nine hundred miles an hour.
It's orbiting at ninety miles a second, so it's reckoned,
The sun that is the source of all our power.
The sun and you and me, and all the stars that we can see
Are moving at a million miles a day
Through an outer spiral arm at forty thousand miles an hour
Of the galaxy we call the Milky Way.

Our galaxy itself contains a hundred billion stars,
It's a hundred thousand lightyears side to side.
It bulges in the middle, sixteen thousand lightyears thick,
But out by us it's just three thousand lightyears wide.
We're thirty thousand lightyears from galactic central point,
We go round every two hundred million years.
And our galaxy is only one of millions and billions
In this amazing and expanding universe.

The universe itself keeps on expanding and expanding
In all of the directions it can whiz.
As fast as it can go, that's the speed of light, you know;
Twelve million miles a minute, and that's the fastest speed there is.
So remember when you're feeling very small and insecure,
How amazingly unlikely is your birth,
And pray that there's intelligent life somewhere out in space
Cause there's bugger-all down here on earth!

 



Escrito por Cali Pantoja às 21h38
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