Eis que estou me despedindo da vetusta federrê, meu pícaro durante os últimos 5 anos de juventude transviada. Palco de rebeldias academicistas geralmente sem eco, alguns momentos de seriedade e compenetração e muitíssimas cenas bizarras, inusitadas e únicas. Aì lembrei que em uma aula de Direito Comercial totalemente inútil sobre concordatas ( tipo de recuperação judicial que nem existe mais, mas foi ensinada pq o professor não queria desperdiçar as transparências feitas com tanto trabalho há 15 anos) eu e um colega anotamos algumas frases ou situações representativas de alguns valores correntes na Facvldade de Direito do Recife:
*"O cara ser um juiz justo vai depender de todos os amiguinhos terem querido jogar bola com ele e a primeira menina por quem ele se apaixonou ter querido namorá-lo." (Defesa apaixonada do conceito de alopoiese em Direito.)
*"Não adianta, meu filho, se vc não foi ou não é corno, vai ser. Não há como escapar, é o famoso 'fate' ". Aula "interativa" sobre crimes passionais.
* "Desculpa, professor!" ( De um aluno depois de cair três lances de degraus de um dos anfiteatros e torcer o pé, atrapalhando assim uma aula de constitucional sonolenta, ao acordar os presentes com um estrondo)
* "A minha nota, eu dou pela beleza da pessoa. Fulana, por exemplo, pode escrever qualquer coisa que tem seu dez garantido. E um estágio no meu gabinete também. (Do mesmo desembargador que dedicou-me um livro: à moça do olhar obsceno)".
* A beleza masculina é infinitamente superior à feminina. ( De outro eminente desembargador e professor da Casa, mostrando a democratização da putaria em nossos tribunais)
* " É melhor acertar comigo do que errar com Caio Mário..."
* O encontro vocálico 'ae' se pronuncia é, meu filho, então a pronúncia correta do seu nome é César. (Réplica à pergunta 'Qual o seu nome', provando que quando o professor quer, o aluno está sempre errado)
*" Ih! Esqueci! Vamos mudar de assunto." (professora em aula de direitos reais depois de escrever e apagar as classificações de Direitos Reais pela terceira vez)
* "Aí, o menino que usou o galfo como arma fugiu em sua bicicreta, mas logo foi pego" (de um juiz palestrante convidado)
Lembrando que qualquer semelhança com fatos, acontecimentos ou pessoas reais é mera coincidência..
Escrito por Cali Pantoja às 23h38
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Assistir a Angu de Sangue à primeira vista é uma experiência teatral para gente grande, embora a primeira cena da peça diga precisamente o contrário. A qualidade técnica e artística da motagem a sagacidade e a pungência do texto ao tratar poeticamente a realidade recifense intrauterina tem a sensibilidade de não reproduzir apenas os "cheiros" dos temas e sentimentos retratados.
Isso eu digo em lembrança ao sentido que teve para mim a experiência de visita ao IML, meio ano atrás. A visão do horrendo não se compara à "presença" do cheiro da morte em podridão; iminente, corriqueira, padronizada em etiquetas amarradas a dedões de pé. Eu nunca esqueci.
O engraçado é que essa lembrança dramática inicial não corresponde à impressão que ficou depois do que acabei de ver. Histórias e temas pesados "que só a preula" de sobrevivência, saudade, maternidade, violência, raiva, amor e, claro, morte soaram autênticas sem serem apocalípticas ou moralistas. Tão bom saber que tem gente que entende que referências artísticas à miséria não têm que estar estampadas numa "bandeira" política empunhada ou culpa, ou vergonha. É tedioso que sempre se toque neste assunto com um constrangimento "defuntal" e a etiqueta intelectual ordene tanta inconformidade, tantos discursismos sobre o dever ser do mundo. Foi massa dar um tapa de luva em mim mesma.
As cores e dores da miséria têm o peso que tem, mas a força e a atitude dos personagens de Marcelino Freire são de uma dignidade tão marcante que suscitam qualquer coisa menos pena. Talvez respeito. Talvez ternura. Algo parecido com: "Puxa, se eu fosse tu, eu queria ser como tu". E a cenografia, as músicas, cacoetes, contorções e gotas de suor investidas na peça de agora há pouco são um exemplo feliz de um trabalho de gente apaixonada pelo que leu, entendeu e pôs a própria competência (que não é pouca) a serviço.
Aí eu queria retirar o que disse na primeira frase deste texto. Angu de Sangue é também teatro para crianças; daquele tipo de arte que ensina pelo filtro de algo bonito e, aleluia, convincente como e por que dá pra admirar, se sentir de igual pra igual com alguém aparentemente "fodido". De todo jeito, para pequenos,pior que a experiência traumatizante de Bambi não é...
Escrito por Cali Pantoja às 01h08
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