“Por onde andei?” Pergunto em coro com Nando Reis num show que não será o que perderei por motivos bem justos. Experimentando seria uma boa resposta. Consta num livro curioso que nasci no dia da pesquisa, portanto seria da minha índole cavucar pelos modos, maneiras e sentidos alheios para resolver o quebra-cabeça da lógica embutida nas coisas, particularmente nas minhas coisas.
Alguém mais inteligente que eu entendeu que a vida dá mais respostas a quem sabe enxergar que a quem vive de buscar e catar sonhos e ímpetos. Claro que sonhos e ímpetos têm um fim próprio e são, inclusive a resposta para um bocado de enfermidades da alma, principalmente a solidão, mas o que potencializa a “fodice” de uma pessoas pra mim é a capacidade de reconhecer a direção de um lar.
Um lar pode ser um trabalho onde se faz a diferença, o cheirinho de banho recém tomado de alguém amado, um grupo de amigos pra todas as horas, um passeio pelo calçadão da praia num domingo à tarde; uma mansão ou uma casinha de sapé, enfim. Interessa é que todas as coisas e pessoas sejam arrumadas e faxinadas de um jeito único e pessoal, com a constância da eternidade da chama de Vinicuis. Cada coisa no seu cantinho e com seu devido naco de carinho e atenção. Lar é aquilo por que a gente se apaixona em diferentes graus e de diferentes formas a cada dia.
A bronca é que se apaixonar pesa pra quem quer percorrer o mundo e “soa” como uma concha de caracol que faz peso na caminhada. Afinal não seria mais fácil viver destituído de saudades e escolhas pela conciliação de interesses? Alguém que saiba que responda. Eu prefiro aprender que tudo que voa precisa de um lar. A gente vai lá na Conchichina dar uma volta e tudo o que se quer, no fundo é trazer uma raminha nova pra por no ninho.
Fizeram filmes e livros pra tentar levar o povo a pensar que nem toda experiência de vida é necessária e proveitosa e viciar-se em mudanças que não criam raízes tb é uma espécie de morte. E pense na ressaca moral que dá a tentativa de suicídio da própria essência. A ignorância é uma dádiva protegida pela vanguarda, ou seja, pelo que expõe o peito e a fúria à violência do medo/desconhecido. Vou ser uma boa menina pra ver se nasço um pé de jasmim na próxima encarnação. Ou pelo menos alguém que fale francês...
Escrito por Cali Pantoja às 15h49
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