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I say so... Reloaded


Depois de mais de um mês voltei. Não sei bem pra onde nem pra quê. A única coisa certa são uns dois ou três quilos a mais voiciferados pela balança acusando-me de haver exagerado nos chocolates, alfajores e sorvetes no último mês ou bradando contra minha corajosa e revolucionária licença do odioso treinamento de hamster de cada dia; vulgo: academia de ginástica.

 

Cedendo aos apelos da mídia tosca e das insinuações de preguiça de amigos e aderentes menos hábeis, voltei a disfarçar minha desocupação com minhas séries normais de atividades físicas incluindo tai-chi, kung fu, dança e... a ditosa malhação. Mens sana in corporis sano. Aí minha disciplina diária de treinamentos inclui partidas de sudoku, planejamentos, pesquisa e, claro leituras. 3 livros. 1 para cada língua que entendo, o jornal e aqui e ali umas revistas informativas pelo caminho.

 

Putz! Aí ontem me deu uma contusão séria quando, numa iniciativa de atitude saudável eu pego o suplemento da insigne Revista Veja sobre a mulher contemporânea. Foi uma indigestão pesada a consciência de ser destinatária de informações subliminares (ou nem tanto) tão ultrajantes. Odiei a perspectiva de auto-imagem da brasileira de classe média retratada naquelas reportagens; mulher, então estaria basicamente interessada em ler sobre gordura, velhice, compras e solidão. Pior. A mensagem que passam é que ainda não estamos suficientemente preocupadas com estes problemas e se não bastasse isso, ainda reiteram que estamos REALMENTE ficando mais gordas, mais velhas (pois, necessariamente feias), mais carentes materialmente (mais pobres?) menos amadas pelos homens e tudo isso é IRREVERSÍVEL, sem que possamos fazer muito além de entender e nos resignarmos com a cruel realidade.

 

Ah, vão se catar! Vão arrumar uma trouxa de roupa pra passar se não têm nada de construtivo pra escrever. Ou pelo menos incluam umas fotos de homens gostosos fingidos de sensíveis com quem possamos fantasiar. Façam cartilhas educativas sobre como aprender a detectar um bom parceiro de cama; listas de foras criativos e incisivos... Não dá pra falar de Copa do Mundo? Se joguem nas novidades e bastidores da nova turnê de Madonna ou do Ballet Bolshoi... E pelamordedeus mobilizem a mulherada contra a violência que as lojas de roupa estão fazendo ao inadvertida e irresponsavelmente diminuir o tamanho dos manequins, levando a quem veste tamanho 42 a vestir um tamanho G que seja a continha... Aí depois não entendem pq a mulherada anda deprimida. Nunca se está magra o suficiente, nunca se tem acesso aos namorados,  cosméticos e vestuário in-dis-pen-sááááá-veis à felicidade (leia-se: beleza) feminina.

 

Não adianta. Ninguém me convence que sou apenas uma feminista enfurecida. Mas esse barraco eu faço questão de armar: eu me dou o direito de me emputecer com o tipo de preocupação e ansiedade que minha cultura tenta me incutir e não só acredito como sei (tenho exemplos vivos e saltitantes disso) que um desvio deste padrão não é um desvio psico-somático, ou de feminilidade; muito menos de preferência sexual. É um desvio de educação em consciência: uma aberração inconveniente aqui e agora, mas que certamente há de se entender como viável em algum recanto deste mundo afora nem que seja para um só ouvido. E é pra lá que eu vou. Se vou!



Escrito por Cali Pantoja às 15h13
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